SOU surda e não sabia (Sourds et Malentendus). Direção: Igor Ochronowicz. Documentário, 70'00". Disponível em: “https://www.youtube.com/watch?v=io3dg3vRTFw”.

    “Sou surda e não sabia” é um documentário sobre Sandrine e sua descoberta como pessoa surda. É um documentário francês, produzido em 2009, sob a direção de Igor Ochronowicz estreando como diretor principal.
    O documentário inicia com um professor francês abrindo uma discussão sobre qual nomenclatura utilizar para designar uma pessoa surda. Nesse contexto, é notório observar que elas preferem ser chamadas de “pessoa deficiente auditiva” e é a partir daí que ele lança questões análogas, como, o ser deficiente feminino e etc.
    A história apresenta Sandrine, uma criança “normal”, que aos poucos junto com seus pais foi descobrindo que era surda afetando assim sua convivência com os pais, pois com os mesmos sendo ouvintes ela não tinha com quem compartilhar seu silêncio. Seus pais usavam das palavras para chamar atenção, porém, naquela época ela não sabia que era surda. Foi criada numa família de ouvintes, e as primeiras lembranças eram visuais e isso que causava emoções. Assim ela foi acostumando com as expressões faciais e entendendo quando mãe estava chateada, ou quando estava fazendo uma brincadeira, e assim foi se socializando.
    Além do visual, ela também buscou no olfato uma das formas de identificar as coisas, sabia qual o cheiro do perfume da mãe, e através do tato, poderia sentir todo carinho da família. Sandrine sofreu bastante neste processo infantil, pois no começo eles acreditavam que ela tinha um problema para falar e não que ela era surda. Assim ela acabou vivendo parte da infância em hospitais, em clínicas de fonoaudiologia e psicologia que a obrigava a reeducar sua fala, fato que a contrariava, pois ela não queria falar.
    Na escola, pouco aprendeu, uma vez que estudava em sala de aula regular e era a única não ouvinte e não entendia o que a professora dizia. Enquanto as crianças faziam suas atividades, Sandrine se perdia em pensamentos olhando pela janela e desenhando. Assim, ela se tornou uma criança invisível e não tinha amigos de sua idade, somente pessoas mais velhas (fonoaudióloga, psicóloga), sendo que estes tinham o objetivo de reeducá-la.
    Ao experimentar um aparelho para que pudesse ouvir o que as outras pessoas diziam, relata que foi como se tivesse recebido um golpe, sentindo um choque, como se o corpo inteiro se quebrasse como um vidro. Percebeu que os ouvintes ouviam, mas sabia que usando ou não aparelho, continuaria sendo diferente. A protagonista quando criança aprendeu a falar e se esforçava muito para falar como todo ouvinte, porém, não era algo agradável para ela.
    Sandrine foi confortada ao chegar em uma escola na qual havia alunos surdos, quando pela primeira vez encontrou com pessoas iguais a ela. Percebeu que não era a única a ser diferente, encontrando seus iguais. Fez amizade com Mathilde, sua primeira amiga filha de pais surdos, o que fez Sandrine perceber que também cresceria e que poderia viver junto aos outros, mesmo sendo surda.
Este documentário é importante para driblamos preconceitos e compreender a partir da historia real de Sandrine que é necessário respeito às diferenças, e que o surdo se comunica e se relaciona, sem necessariamente usar a linguagem oral. O surdo tem potencial e a deficiência jamais inibirá a sua inteligência.
    Momentos durante o documentário, podemos nos sentir como um surdo principalmente quando Sandrine está contando os fatos somente na língua de sinais e não se ouve um som sequer. Dá para perceber o quanto o silêncio pode incomodar como também o barulho incomodou Sandrine ao testar o aparelho feito para ela fazendo com que a mesma decidisse que nunca ouviria ou falaria como uma pessoa ouvinte.

Resenha feita por:
André Júnior